[OPINIÃO]
QUADRINHOS: 140 ANOS DE HISTÓRIAS NO BRASIL – por milena azevedo

30 janeiro 2009 § 2 comentários

>>>>>>>>>> O CABRIÃO

>>>>>>>>>> O CABRIÃO

Os imigrantes que chegaram ao Brasil entre os séculos XIX e XX impulsionaram a olhos vistos a nossa economia. Porém, teve um que foi além. Ele colocou o Brasil entre os primeiros países do mundo a criar uma mídia chamada “história em quadrinhos”. O nome dele: Angelo Agostini.

Agostini, um rapazote italiano de dezesseis anos de idade, aportou em São Paulo no ano de 1859. Ele já havia estudado belas artes na Itália e em Paris, tinha uma personalidade contestadora agudíssima e fazia questão de propagar o papel de conscientização político-social do artista.

Isso fez com que Agostini criasse um hebdomadário satírio chamado Diabo Coxo, em 1864, inspirado em outros hebdomadários europeus e no famoso hebdomadário carioca Semana Ilustrada, fundado quatro anos antes, por Henrique Fleiuss.

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>>>>>>>>>> ZÉ CAIPORA

O Diabo Coxo fechou suas portas em 1865, mas em 1866, Agostini já criava O Cabrião, que apesar da existência efêmera devido às perseguições e pressões que Agostini sofria porque que fazia um jornalismo sem rabo preso e sem papas na língua, em sua penúltima edição, a de número 50, do ano 1867, já trazia uma página com uma história chamada As Cobranças, a qual apresentava desenhos em sequência, emoldurados em requadros, com textos sob os desenhos.

Não vendo outra alternativa a não ser fugir para o Rio de Janeiro, Agostini parte e por lá também não consegue se conter por muito tempo. Cria e participa de vários hebdomadários satíricos, entre eles: O Arlequim (1867), Vida Fluminense (1868) e Revista Illustrada (1876), sempre fazendo caricaturas e charges mordazes, criticando principalmente os artistas Pedro Américo e Victor Meirelles, e todos os artistas, políticos, literatos e jornalistas brasileiros contrários às causas abolicionista e republicana.

Foi nas páginas do Vida Fluminense, inclusive, que ele deu vida ao primeiro personagem de história em quadrinhos do Brasil, chamado Nhô-Quim, numa história de página dupla chamada As Aventuras do Nhô-Quim ou Impressões de uma viagem à Corte, publicada em 30 de janeiro de 1869.

>>>>>>>>>> NHÔ QUIM

>>>>>>>>>> NHÔ QUIM

Antes do Nhô-Quim, podemos citar como personagens precursores das histórias em quadrinhos o suíço M. Vieux-Bois, de Rodolphe Töpffer (1827), e os encapetados Max und Moritz, do alemão Wilhem Busch (1865).

O Nhô-Quim era um rapaz que habitava uma província do interior do Brasil e que pela primeira vez ia ao Rio de Janeiro, sede da Corte, e se maravilhava – e se atrapalhava – com os costumes, os trejeitos e a vida nova que descobriu por lá. Foi um sucesso absoluto, sendo republicado bem depois nas páginas de O Malho.

No entanto, o sucesso maior ainda estava por vir. Em 1884, na Revista Illustrada, Agostini criou o primeiro fenômeno de mídia impressa nunca antes visto no Brasil. Foram as histórias de um personagem chamado Zé Caipora, cujo título era As Aventuras de Zé Caipora, com o qual Agostini fazia uma magnífica caricatura de costumes dos oitocentos tupiniquim.

O Zé Caipora foi um dos responsáveis pelas vendas extraordinárias da Revista Illustrada, que chegou a ter quatro mil assinantes – os analfabetos a compravam e se divertiam apenas vendo as imagens das histórias do Zé Caipora – e se manteve como um periódico independente até 1889 (não aceitava anúncios publicitários ou de membros da Corte), quando Agostini teve que fugir do Brasil por questões pessoais e a deixou sob o comando do também caricaturista Pereira Neto, o qual terminou desvirtuando a linha editorial concebida por Agostini, que por sua vez teve tanto desgosto de saber do ocorrido ao voltar ao Brasil, que vendeu a sua parte e fundou o Dom Quixote (1895).

>>>>>>>>>> ZÉ CAIPORA

>>>>>>>>>> ZÉ CAIPORA

Nos períodos em que Agostini deixou de publicar as aventuras de José Corimba (o nome verdadeiro do Zé Caipora), a Illustrada recebeu cartas de leitores de várias províncias e também do Rio de Janeiro, suplicando pelo retorno daquele anti-herói à brasileira. A popularidade era tamanha, que ele continuou sendo publicado no Dom Quixote e na histórica revista O Tico-Tico.

Agostini faleceu no dia 23 de janeiro de 1910.

A partir de seu trabalho, que não se resumiu apenas às caricaturas, charges e histórias em quadrinhos, haja vista o importante papel de Agostini como crítico de arte, outros artistas do traço foram surgindo, passando a tomá-lo como exemplo, estudando o seu traço e estilo, sendo J. Carlos um dos mais ilustres.

>>>>>>>>>> J. CARLOS

>>>>>>>>>> J. CARLOS

Nesse ano de 2009, comemoramos 140 anos de histórias em quadrinhos no Brasil. De lá pra cá, foram diversas publicações, com períodos áureos de produção e destaque para os artistas nacionais. Hoje o cenário está muito bom, com uma garotada que insiste em dizer a que veio, chamando a atenção até mesmo do país em que alguns dizem que as histórias em quadrinhos foram criadas, devido a um certo garoto amarelo.

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[DESABAFO]
VOCÊ FURA A FILA E ALGUÉM QUE VOCÊ AMA MORRE

29 janeiro 2009 § 2 comentários

Deveria ser assim. Furou a fila? Morre sua mãe. Furou de novo? Morre seu filho. Insiste mais uma vez? Morre sua namorada. Simples assim. Só quem perde a hora de almoço num banco lotado de fura-fila entende o que estou sentindo.

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[DIÁRIO]
COLABORAÇÕES TORNAM PLOG UM ESPAÇO COLETIVO

29 janeiro 2009 § 1 comentário

Venho coletando textos de amigos e publicando por aqui, desde literários até opinativos. Moddrack Freire, Milena Azevedo e Fábio Farias já deram as caras. Anderson Foca promete aparecer em breve. Outros nomes estão na minha mira.

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[NO LIVRO]
SARAMAGO É ACUSADO DE PLÁGIO COM “INTERMITÊNCIAS DA MORTE”

28 janeiro 2009 § 4 comentários

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Vida de Nobel não é fácil. E Saramago está aí pra comprovar. O autor de “Ensaio sobre a cegueira”, que entrou de vez pra história como primeiro (e até agora único) escritor de língua portuguesa a ganhar um Nobel, está sendo acusado de plágio pelo mexicano Teófilo Huerta. Segundo o suposto plagiado, “As intermitências da morte”, 16º romance do portuga boa praça, é uma cópia descarada de seu conto “Últimas noticias”, que faz parte do livro “La segunda muerte” de 1987.

Pra quem ainda não se localizou no espaço e no tempo, “As intermitências da morte” parte de um pressuposto pra lá de saramagueano: e se ninguém mais morresse? Em cima dessa premissa, o livro narra as conseqüências ironicamente funestas dessa greve da Morte, desde a falência das empresas de seguro de vida até a impossibilidade de se livrar de pessoas que, apesar de não morrerem, se tornam insuportavelmente caquéticas.

Pois bem, o conto de Teófilo Huerta não vai tão longe na investigação das possibilidades, mas estão lá muitas das coisas exploradas no livro: a euforia inicial, os primeiros problemas, a posição oficial dos governos, a derrocada de algumas instituições. Enfim, pra quem leu o livro de Saramago, como eu, foi realmente um susto se deparar com “Últimas noticias”.

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Como a história tem cheiro de golpe dos brabos, Huerta criou o blog Saramago Plagiário para expor os pontos que sustentam sua denúncia e conseguir chamar a atenção da mídia. No blog, alguns argumentos a favor do acusador são expostos de forma contundente.

O mais forte é a conexão direta entre ele e Saramago através do agente literário Sealtiel Alatriste, que recebeu o conto do mexicano para avaliação da editora Alfaguara em 1997. Em 2003, o agente exercia o cargo de cônsul do México em Barcelona e, segundo Huerta, “tinha contato e proximidade com José Saramago”. No blog, ainda é possível acompanhar uma planilha comparativa entre “Últimas noticias” e “As intermitências da morte”. O mexicano expõe didaticamente passagens semelhantes entre as duas obras – algumas, inclusive, que usam as mesmas expressões.

A notícia chegou aos jornais europeus e o português já teve que dar explicações. No melhor estilo Saramago, o autor falou aos jornais que “Não li, não vi, não toquei nem sequer com a ponta dos dedos no conto do reclamante”. Pra quem ficou curioso sobre a obra de Huerta, o site Cronópios disponibilizou uma tradução em português de “Últimas noticias”.

O mexicano indicou que não reivindica a autoria do romance, mas sim da idéia de partida e de vários pontos dos primeiros capítulos do livro. Segundo o blog, há mais de 20 passagens no livro em que fica claro o suposto plágio. E eu, do alto de minha humilde insignificância, sigo torcendo para que Saramago um dia me copie.

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[OPINIÃO]
OBAMA NÃO, OSAMA – por modrack freire

27 janeiro 2009 § 5 comentários

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Nada! Nada mudará em nossas vidas, nada afetará a postura bélico-imperialista dos EUA . E se realmente o Sr. Mudança conseguir recuperar a economia dos gringos, pior para nós, é mais dinheiro para comprar armas e nos oprimir.

Até hoje não engulo a forma como a imprensa tratou o pseudo-atentado de 11 de setembro, fala-se dele como algo gratuito, um ataque terrorista. Morreram nele uns 2 mil e pouco civis. Em sua posterior Guerra ao Terror, o número de vítimas (civis) já ultrapassam os cem mil. Onde está escrito que um americano vale 50 árabes? Pearl Harbor? Em um ataque a um alvo militar o Japão matou 2.403 militares estadunidenses e 68 civis. No troco americano, depois de bombardear incessantemente 67 cidades japonesas (alvos civis), soltaram as bombas em Hiroshima e Nagasaki, somando mais de 300 mil mortos, 40 mil crianças, isso sem contar as mortes após, por radiação.

Saia às ruas, comemore, leia o discurso do Messias de ébano, incessantemente, mas lembre-se do Japão, da África, do Oriente Médio, lembre-se que quem fornece poder bélico a Israel para matar palestinos armados em sua maioria de pedras são ELES, lembre-se que ele cagaram pro Protocolo de Kyoto, que eles cagam pra ONU ano após ano e que eles matam não por ideologia, não por religião, matam mesmo por dinheiro, para preservar o american way.

Novamente, me desculpem. Espero, espero mesmo, estar errado. Nada mudará, Obama, se bem intencionado deverá morrer por algumas das milhões de armas em mão de suas milícias, simplesmente por ser negro, ou por tentar fazer a diferença. Senão fará umas mudanças aqui e acolá, algo para transformar o Império do Mal em algo deglutível, simpático e passável.  Os Estados Unidos são isso, algo tão ruim e asqueroso que mesmo depois de ser varrido da face da terra por um cataclisma qualquer, deveria ter o solo esterilizado com óleo de máquina e sal grosso, para nada mais nascer ali.

Pra mim a solução não é Obama, é Osama. BUMMMMMMMMMMMMMM.

nova-imagemModrack Freire é publicitário, devora quadrinhos que é uma beleza, adora perder tempo assistindo um bom filme ruim, só dorme com a TV ligada, sempre chega atrasado e adora deixar tudo pra amanhã. É tricolor doente, fluminense até a alma, mas só gosta de assistir os jogos quando o time tá ganhando, porque sofrer por futebol é foda. Escreve no EntreRios.

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[ARTIGO]
MÁRIO DE ANDRADE EM NATAL: O QUE SERIA DE CÂMARA CASCUDO SEM ELE?

27 janeiro 2009 § 4 comentários

Mário de Andrade e Câmara Cascudo: o encontro

Mário de Andrade e Câmara Cascudo: o encontro

Em conversa com Giovanni Sérgio, fotógrafo e amigo, fui alertado para um fato: os 80 anos da passagem de Mário de Andrade por Natal. O escritor paulistano – que foi a voz maior do modernismo – visitou Natal em uma de suas famosas viagens etnográficas. E hoje, 27 de janeiro de 2009, completam exatos 80 anos de sua partida da província após uma estada de 45 dias. Busquei na internet mais sobre o assunto. Não foi tarefa fácil. O material disponível sobre o episódio é bem pequeno. Mas descobri algumas coisas interessantes.

A Semana de Arte de 1922, evento que marcou de vez a chegada do modernismo ao Brasil, já havia se encarregado de transformar Mário de Andrade numa espécie de mito. A partir de 1924, ele passou, então, a manter correspondência com Câmara Cascudo. E nesse vai e vem de informações, decidiu fazer sua segunda viagem etnográfica em 1928. A primeira havia sido no ano anterior, no qual visitou e investigou a Região Norte. Dessa vez voltada ao Nordeste, sua pesquisa aportaria de mala e cuia em Natal, topando de frente com o boi, o pastoril, a chegança e tantas outras riquezas da nossa cultura. Avesso aos “pesquisadores de gabinete”, como resumia, Andrade queria ver de perto essas manifestações.

Mário de Andrade: a maior voz do modernismo

Mário de Andrade: a maior voz do modernismo

O autor chegou em Recife no dia 3 de dezembro de 1928. A Veneza brasileira seria sua primeira parada na viagem, que inclua ainda Natal e João Pessoa (que na época ainda se chamava Parahyba). Em 14 de dezembro, Mário chegou à Natal e foi recepcionado por Câmara Cascudo. O “príncipe do Tirol”, alcunha de nosso maior escritor em menção à sua posição social, tinha contato então com outro tipo de intelectual. O autor de “Macunaíma”, que buscava como um alquimista a brasilidade na literatura – e que afirmava, pioneiramente, que a verdadeira cultura não estava nas capitais – abriu de vez a cabeça de Câmara Cascudo para coisas que sempre estiveram bem diante dele (e que seriam, posteriormente, a maior razão de seu nome entrar para a posteridade): o valor das tradições folclóricas, a beleza dos rituais populares, a verdadeira cultura impregnada no que via cotidianamente.

Mário acabou ficando mais tempo em Natal do que nas outras cidades. Fez amigos, se encantou pelos banhos de mar na Redinha e deixou saudades quando partiu. O engenheiro agrônomo potiguar Garibaldi Dantas, em crônica publicada n’A Republica, validava a iniciativa de Mário de Andrade em pesquisar as tradições nordestinas, mostrando aos intelectuais locais a importância do que possuímos. Dantas criticou a inteligentsia potiguar, afirmando que “ao invés de ficarem nas eternas questiúnculas bizantinas de escolas estrangeiras, fossem ao nosso interior, e de lá trouxessem estes motivos interessantes que um dia poderão ser gênese de algum trabalho formidável e original”.

Cãmara Cascudo: os rumos de sua obra podem ter sido mudados por Mário de Andrade

Cãmara Cascudo: os rumos de sua obra podem ter sido mudados por Mário de Andrade

Diz-se que depois da partida de Mário de Andrade, Câmara Cascudo voltou-se de vez aos estudos populares. Tanto é que se firma como historiador e folclorista justamente na década de 30, imediatamente após a passagem de Andrade. A mudança em sua obra, provocada ou não pelo paulistano, transformou o “príncipe do Tirol” no maior intelectual potiguar.

No diário de viagem de Andrade, calhamaço que posteriormente viraria o livro “O turista aprendiz”, Mário afirma que Natal é uma cidade de “gente suavíssima que me quer bem”. Mal sabia ele que 80 anos depois, mesmo com toda a importância histórica de sua visita, ela seria completamente ignorada. Nenhum ato público, nenhuma manifestação, nenhuma comemoração. Parece mesmo que o ensinamento de Mário de Andrade foi seguido à risca: mas passamos a olhar tanto para o que produzimos que quase não vemos mais as coisas ao nosso redor.

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[DENÚNCIA]
CABO NATAL DESRESPEITA NOVAS REGRAS DE ATENDIMENTO AO CLIENTE

26 janeiro 2009 § Nenhum comentário ainda

O SAC gratuito não chegou na Cabo Natal, principal operadora de TV a cabo e internet da província. Apesar de disponibilizar um 0800 para SAC, o número não recebe chamadas de celular. Desde o mês passado, isso passou a ser proibido. Todo SAC tem que ser gratuito, independente do aparelho que efetua a chamada.

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[FOFOCA]
FAMOSO HERDEIRO POTIGUAR EXTRAI VIBRADOR DO ÂNUS NO SÃO LUCAS

26 janeiro 2009 § Nenhum comentário ainda

Circula pelas altas rodas de Natal o boato de que o filho de um grande empresário potiguar deu entrada este fim de semana no São Lucas para a retirada emergencial de um vibrador do ânus. Fontes afirmam que um vídeo da operação circula pela internet. Estou na busca. Mais detalhes no decorrer do período.

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[OPINIÃO]
HOLLYWOOD SE RENDE A BOLLYWOOD EM “SLUMDOG MILLIONAIRE” – por milena azevedo

26 janeiro 2009 § Nenhum comentário ainda

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A 66ª edição do Globo de Ouro, realizada no dia 11 de janeiro de 2009, surpreendeu àqueles que apostavam suas fichas em O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button), drama de fantasia estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett, adaptação do conto homônimo de F. Scott Fitzgerald.

Quem roubou a cena, merecidamente, foi um filme feito por ingleses, homenageando Bollywood: Slumdog Millionaire (cujo título brasileiro é Quem quer ser um milionário?), que levou para casa os prêmios de melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro e melhor trilha sonora.

O roteiro de Slumdog Millionaire também não é original. Trata-se de uma adaptação do romance de Vikas Swarup, Q & A, pelo roteirista, diretor e produtor Simon Beaufoy (De cabelos em pé), e dirigida por Danny Boyle (Trainspotting e Sunshine – alerta solar).

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No filme, a infância e a adolescência dos irmãos Jamal e Salim Malik é recontada quando Jamal, cujo emprego é servir chá numa operadora de telemarketing, resolve participar do programa “Quem quer ser um milionário?” – uma espécie de Show do Milhão indiano –, e é suspeito de ter fraudado as respostas. Na delegacia, ele recebe tratamento especial (apanha, é torturado, toma choque), mas convence o delegado que cada momento de sua vida continha a resposta para cada pergunta que lhe foi feita no programa, seguindo o princípio árabe do maktub. Também ficamos sabendo que Jamal não está interessado no prêmio em dinheiro. Ele quer é um meio de reencontrar o seu amor, a jovem Talika, que está sob o poder de um chefão do submundo local, para quem seu irmão trabalha.

Pela descrição acima, os mais afoitos podem pensar que se trata de um novelão mexicano que tem como cenário a Índia do ano de 2006 (período em que se passa a trama). Poderia até ser, mas o ritmo empregado por Boyle, entrelaçando sequências de passado e presente, alternando momentos dramáticos, românticos, de ação e de suspense – todos envoltos na excelente trilha sonora de A.R. Rahman – em quase duas horas de projeção, ingredientes de um legítimo bollywood (com direito até a cena de dança – o item number – no final), e o estreante Dev Patel (que antes só havia feito a série de TV Skins), como Jamal Malik, que fala ao delegado como se estivesse falando para nós, os espectadores, ora timidamente, ora de forma mais descontraída, relembrando os fatos mais significativos de sua vida e sua persistência de seguir à procura da amada.

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A premiação de Slumdog Millionaire é uma forma de Hollywood prestar reverência à maior indústria cinematográfica de língua hindi, extremamente popular e rentável em toda a Índia, e que vem conquistando pouco a pouco o ocidente (eita, até a nova novela de horário nobre da Rede Globo agarra com unhas e dentes essa estética!).

Na lista dos indicados ao Oscar 2009, o filme de Danny Boyle concorre em dez categorias, contra treze de Benjamin Button, inclusive batem de frente em: melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia, melhor efeitos sonoros, melhor montagem e melhor trilha sonora.

Tradicionalmente, o Globo de Ouro é uma premiação menos comercial do que o Oscar – e o O Curioso Caso de Benjamin Button tem cheiro, trejeito e formato de Oscar, isso é inegável para quem o assiste –, mas aposto minhas fichas numa parelha acirrada esse ano, pois Benjamin Button é Brad Pitt e Taraji P. Henson (que concorre a melhor atriz coadjuvante), já Quem quer ser um milionário? é uma inspiração coletiva.

close_milenaMilena Azevedo é Mestre em História pela UNISINOS (RS), empresária, poeta, contista e roteirista de HQ. Tem dois livros de poemas publicados: O Perfil da Águia (1999) e Prometeu Livre – um outsider no Olimpo (2005), já ganhou prêmios no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro (participando inclusive da coletânea com os 100 melhores poemas dos anos de 2003/04 e 2004/05, além de estar presente também no Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea/2005, todos da Câmara Brasileira dos Jovens Escritores). Tem contos e poemas publicados aqui e acolá nessa imensa teia eletrônica que é a Internet, além de participar de antologias da Câmara Brasileira dos Jovens Escritores e da AGEI – Associação Gaúcha dos Escritores Independentes.

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[ARTIGO]
AO MEU BROTHER OBAMA

23 janeiro 2009 § 2 comentários

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Poucas vezes vi imagens tão impressionantes como as da posse de Barack Obama. E, portanto, serei mais um a falar do tema. O primeiro presidente negro dos Estados Unidos, ungido pela maioria da população americana ao cargo de libertador de um país moralmente falido. A mudança encarnada em um sorriso aterrador, vindo da pobreza diretamente ao cargo mais alto do planeta. O paladino da liberdade que chega à Casa Branca após oito anos de famigerado bushismo. Pronto, acho que já usei todos os clichês sobre o assunto no primeiro parágrafo.

Dentre todos que falaram, falaram, falaram (e como falaram) de Barack Obama esses dias, não fico nem com o otimismo de Lula (que elegeu Obama como salvador do planeta em diversas declarações), nem com o sensacionalismo de Carlos Heitor Cony (que comentou em sua coluna na CBN, em tom de previsão catastrófica, que “Getúlio Vargas também tropeçou na hora da posse… e terminou se matando”). A opinião mais sóbria a respeito do início da Era Obama veio de Cristovam Buarque, senador do Brasil, em excelente e memorável artigo publicado no jornal espanhol El País.

Para Buarque, Obama tem que ir além do título de “primeiro presidente negro dos Estados Unidos”. Ele tem que ser “o primeiro presidente americano do século XXI”. Isso significa que Obama deve deixar pra trás todas as atitudes anacrônicas que os presidentes estadunidenses vêm tomando nas últimas décadas e assumir a dianteira de uma revolução de pensamento político. Ou seja, o negão tem desafios bem maiores que uma crise econômica global. A parte boa é que ele está com a faca e o queijo na mão.

Vamos voltar no tempo, naquela época em que todos odiavam os Estados Unidos. Era ano passado? Não importa. Naquele tempo, o país era o sinônimo de tudo de ruim que acontecia no mundo. Pobreza dos países subdesenvolvidos? Culpa dos embargos econômicos. Aquecimento global? Culpa do consumo desenfreado. Guerras sem propósito? Indústria bélica estadunidense, claro. Enfim, os EUA se tornaram os bodes expiatórios de um mundo complicado demais. Mas o pior é que tinham razão.

Pois bem, a posse de Obama (mais: a derrota de McCain e, conseqüentemente, do bloco liderado por Bush) representam uma ferida a menos no mundo. Seria duro ver a perpetuação do bushismo num momento em que todos estão cansados de atrocidades e querem só um pouquinho de esperança. Obama, então, deu esse sopro de alívio ao planeta. A década, que começou bem mal com os ataques ao World Trade Center, parece que se encaminha pra terminar com boas notícias. O problema é que Bush fez tanta merda que fica difícil voltar a ter fé na América. Vem trabalho duro pela frente, Obama.

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Para mim, o negão só entrará pra História de verdade se fizer mais que ganhar uma eleição contra um candidato sem carisma. Obama não deve, como bem disse Buarque em seu artigo, “ser apenas negro, mas também verde, vermelho e branco”. Verde pela determinação em construir um planeta sustentável, vermelho pela visão humanitária associada à esquerda e branco pela difusão irrestrita da paz.

Muito bem, Obaminha, meu brother, comece a se tornar o divisor de águas desse século tão conturbado assinando o Protocolo de Kioto. Esse documento, ignorado há anos e anos pelos Estados Unidos, estabelece limites para um desenvolvimento sustentável das nações. Esses limites passam, obrigatoriamente, pela redução da emissão de gases tóxicos na atmosfera. Mas isso representaria uma grande adaptação das indústrias a uma nova realidade global. Até hoje, nenhum presidente dos Estados Unidos teve coragem de enfrentar os megaempresários e fazer valer a máxima de que o planeta, enfim, é mais importante. É sua chance, Obama, vai que tu é bom.

Depois de consagrar-se com esse ato inédito, tire de letra outro desafio. Acabe com os embargos econômicos que vitimam países pobres como Cuba. Não é possível que em pleno século XXI, Obama, um país haja com tanta arrogância, se sentindo no direito de penalizar outras nações que não concordam com suas ideologias. Claro, os embargos não ocorrem apenas por opiniões divergentes. Mas, no fim das contas, acabam virando isso: uma briga pra ver quem tem o pau maior. Coloque sua hombridade pra fora, Obama. Sele a paz com o Terceiro Mundo de uma vez, acabando não só com os embargos mas também com intervenções sinistras na soberania alheia (as bélicas, as políticas, as escusas, todas). Enfim, deixe o resto do mundo em paz.

E por falar em paz, vem o maior dos desafios. Acabe com as guerras. Principalmente com essa tal Guerra Contra o Terror iniciada por Bush, que não passou de um artifício baixo do ex-presidente para se fazer necessário. Erga uma nação que fomenta a educação, que gera um ideal realmente diferenciado para esse milênio, inicie essa nova era não apenas com festas: mas com ações verdadeiramente inovadoras. Os EUA de Obama têm a obrigação de se tornar a nação mais pacificadora do planeta. Já está na hora. Mas não é só isso: passe a respeitar as convenções internacionais, porque isso vai significar respeito pelo mundo inteiro, por cada cidadão do planeta. Submeter-se às regras dos tribunais internacionais, acatar as resoluções da ONU e firmar pactos bilaterais com as nações não dói. Todo mundo faz isso. Tá na hora dos EUA fazerem também.

Depois disso, aí sim, Obama estará para sempre nos livros de História. E melhor: estará na história de todos, de cada um de nós, que teremos um mundo mais justo, preparado para o futuro e livre de arbitrariedades sem sentido. Mas até lá, nada mudou. Muito embora o tempo seja de esperança, os americanos continuam tendo responsabilidades enormes sobre os problemas globais. E para que Obama entre definitivamente pra História, é preciso apenas uma coisa: parar de olhar pro próprio umbigo.

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