[MICROCRÔNICA]
ANO BOM

31 dezembro 2008 § Nenhum comentário ainda

Todos na cozinha, bagunça, gritos, gargalhadas, vida. O Ano Bom está nascendo. Cheira a tender, peru, bacalhau. Cheira a nectarina. Mas diferente dos outros, não chora no primeiro respirar. Ri. Tão bonito que até parece música. Que venha então.

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[DIÁRIO]
EM EVOLUÇÃO

29 dezembro 2008 § Nenhum comentário ainda

Rapaz, sinceramente, eu gosto tanto do antigo PLOG que estou com pena de migrar pra esse aqui… E o pior: eu gosto tanto desse daqui também! Ó dúvida cruel.

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[AGENDA]
PRÉ-RÉVEILLON NO BOTELHA BAR

28 dezembro 2008 § Nenhum comentário ainda

Com a Banda Via Praça em show acústico. Dia 30/12/08. Rua Potengi, 417 – Petrópolis (próximo a Aliança Francesa). Contato: (84) 3201-0108 / 9954-7222.

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[MINIRRESENHA]
MONOBLOCO É FESTA GARANTIDA

28 dezembro 2008 § Nenhum comentário ainda

Músicos animados, repertótio impecável. Monobloco é foda. Impossível não se hipnotizar com os batuques que acompanharam grandes hits de hoje e de ontem, do samba enredo ao funk carioca. Festão que tinha de patricinhas à hipongas: todos a fim de se acabar de alegria. Nota 10.

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[CRÔNICA]
MEU MELHOR QUASE AMIGO

23 dezembro 2008 § 4 comentários

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A gente é quase amigo. Quase mesmo. Falta pouco pras coisas mudarem e então estamos curtindo essa fase boa dos começos. Sempre conversamos horas e horas, num animado jogo de duplos sentidos, mas apenas quando nos encontramos por acaso no bar ou na praia ou na livraria. A gente já tem o telefone um do outro, mas quase não nos ligamos. É estranho pensar nisso, mas é exatamente assim que acontece. Até agora, sem uma razão muito forte, não nos ligamos. Da última vez, eu que liguei. Por engano.

A gente vai pras mesmas festas e conhece as mesmas pessoas. Nos comportamos naturalmente quando nos vemos e de repente é aquele estouro de brindes, gargalhadas, felicidade. Amigos de infância que não se viam há 20 anos: mas a gente não se conhece nem há dois. E quer saber? É bom ter alguém assim. Que não faz tão parte da sua vida como os outros; não forma nem deforma a sua identidade; não define, com a presença, quem você é. Apenas está ali. Disponível na medida do possível.

A gente encerra em si, um para o outro, a gênese de algo muito bom, muito grande. Quem sabe um dia não vamos mochilar pela Europa com apenas 100 euros no bolso? Quem sabe um dia, bêbados e falantes, não fazemos um brinde silencioso após contar coisas perdidas da infância? Quem sabe quando velhos, enrugados, rotos, não lembramos de como éramos inocentes e verdadeiros na segunda idade?

Por hora, entretanto, apenas falamos dos assuntos correntes. Política, religião, entretenimento. De vez em quando, descobrimos um traço da personalidade do outro sem querer. Percebi que ele é um falso calmo no dia em que sua namorada ligou, ele respirou fundo e atendeu com um suave “oi, amor”. Deixei escapar que sou emocionalmente imaturo no mesmo dia: ele reclamou que ela é do tipo grudenta e eu sem saber o que responder. Pedi outra cerveja.

A gente curte os mesmos filmes, mas isso não quer dizer que gostamos dos mesmos filmes. Significa que temos um interesse comum pelo mesmo tipo de cinema e nem sempre concordamos com a qualidade do que vemos. Eu gostei de “Dogville” e ele classificou como um filme chatíssimo. Nossa amizade vai crescendo nessas diminutas diferenças.

Lembro que quando nos conhecemos, me bateu lá dentro aquela certeza de que seríamos próximos. Ainda me refiro a ele como “meu colega”, mas desde já tenho como certo que um dia, quem sabe, quando distantes, possa sentir saudades e fazer uma ligação interurbana para dizer que tudo que mais queria era dividir uma gelada com ele. A saudade de um amigo é das coisas mais puras que podemos sentir.

A gente é quase amigo e se trata assim. Não se abraça, apesar do aperto de mão caloroso. Não se liga, apesar da felicidade ao se encontrar. Não falamos de nossos problemas e isso torna tudo agradável e cheio de leveza, muito embora subsista certa superficialidade. Mas já ensaiamos ultrapassar o limite do quase. Semana passada, perguntei por que estava tão calado e meu quase amigo hesitou, começou a falar, mas calou. Eu não insisti.

Tenho muitos colegas, mas é ele que guarda as maiores chances de um dia estar comigo na final da Copa de 2014. É ele que provavelmente vai disputar com outros o título de padrinho do meu primeiro filho. É ele, certamente, dentre os quase amigos que tenho, que logo mais perderá o quase. A não ser que eu o conheça tão completamente que perceba não valer a pena. Ou vice-versa.

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[DIÁRIO]
FINALIZANDO

21 dezembro 2008 § Nenhum comentário ainda

Home com fotos, links funcionando, seções determinadas, material de divulgação criado e eu treinadinho no Wordpress. Tudo pronto pra estréia. Agora, é só esperar. Vou descansar nessas festas e em 1º de janeiro chego com tudo no novo PLOG. Ansiedade grande! Até lá então.

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[CRÔNICA]
QUASE TRINTA

20 dezembro 2008 § 2 comentários

79f05be7-6b3d-477f-a5d0-79b0c2be9dd7A vida fica chata aos quase 30. Chatíssima. Só não digo que fica insuportável porque não quero parecer fatalista. Se ainda tivesse 20 e poucos, tudo bem, não teria o menor pudor em fazer drama. Mas tenho quase 30. Nessa idade, já perdemos o direito de não ser perfeitos.

Aliás, “nessa idade” é uma expressão que tipicamente quase-trintona. Os mais velhos trabalham no pretérito (“no meu tempo era…”), os mais novos no futuro (“quando eu for…”). Nós, dessa tribo perdida no vácuo das desatenções, trabalhamos no presente. E como trabalhamos! Dez horas por dia, seis dias por semana e considere-se um bon vivant. Falei sobre um tal vácuo das desatenções. Pois é, vivemos nele, todos nós imersos no vácuo das desatenções. Responda, amigo que está quase lá, qual foi a última vez que você viu um programa social do governo voltado a sua faixa etária? Qual a última vez que você ouviu uma música pop falando sobre sua realidade? Essa é boa, essa é boa: qual a última vez que sua mãe sugeriu a você procurar um psicólogo? Na certa, você ainda tinha 17 anos, fumava escondido, ouvia Nirvana o dia todo e achava que jamais usaria uma calça social. Agora, nessa idade, ninguém mais se preocupa com você. E não pense que é porque finalmente confiam na sua figura ilibada. Tenho amigos com quase 30 que ainda fumam escondidos, ouvem Nirvana e acham que jamais usarão uma calça social. Mas agora são ignorados. Casos perdidos. As pessoas simplesmente desistiram deles. Estão mais preocupadas com os adolescentes problemáticos e os idosos da melhor idade.

O mais difícil de estar prestes a cruzar o limiar da terceira década é saber que não podemos mais usar a idade como desculpa. Esse infalível argumento foi utilizado por mim exaustivamente. Você vai acampar no Natal em vez de ficar com sua família? Qualé, pai, eu só tenho 25, tenho que aproveitar a vida! Você vai vender o computador pra comprar uma guitarra? Qualé, mãe, só tenho 26, tenho que aproveitar a vida! Você vai pedir demissão pra excursionar pela América Latina com três francesas lésbicas? Qualé… Hum, bem, não cola mais. Aliás, fica ridículo alguém de quase 30 dizendo “Qualé, pai”.

Poderia discorrer sobre uma série de outros infortúnios. Mas vou falar apenas de mais um: o sexo. Não consigo controlar a vontade de rir – e não é de felicidade. Com quase 30, a gente broxa pela primeira vez. Não há mais a pressa dos 17, nem a gana dos 20 e poucos. Não, amigo, temos quase 30. Agora, não há mais como ignorar o clitóris, ou pular as preliminares, ou gozar sozinho, ou virar, fechar os olhos e dormir. Com tanta pressão, claro, não tem tesão que resista. Bem-vindo ao mundo real.

A gente se habituou a estar em transformação, a ser outro a cada instante. E de repente, a estabilidade. Por mais que Martha Medeiros e Carlos Heitor Cony preguem que somos diferentes a cada segundo que passa, pouquíssimo em você mudará daqui pra frente. Talvez uma opinião aqui, outra ali; porém nada será mais tão radical. Este que é você ultrapassará seu trigésimo ano e será o mesmo daqui por diante. Para sempre. Como a maldição do galo que canta três vezes, lembra? Se você estiver envesgando os olhos bem na hora do seu aniversário, puff!, vai ficar vesgo pro resto da vida.

O conselho é: sinta bastante saudade de quem você foi. Muita mesmo. Chore de vez em quando lembrando das bobeiras de moleque, das inconseqüências da juventude, das burradas de quando aprendia a ser adulto. Não esquecer disso tudo vai fazer de você alguém melhor. Mais vivo, até. E só pra deixar algo bem claro: não eram três francesas lésbicas. Eram quatro.

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[NO TORRENT]
TRUE BLOOD: MUITO SANGUE E MUITO SEXO NA HBO

19 dezembro 2008 § Nenhum comentário ainda

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Depois da superprodução Roma e seu desfile de tipos sem caráter (que, infelizmente, durou apenas duas deliciosas temporadas), o que fazer para chamar a atenção do público e continuar se diferenciando das outras emissoras que produzem séries? A HBO tira então da cartola True Blood, uma série de vampiros – do mesmo criador de Six Feet Under – que é, no mínimo, polêmica.

A ação se desenvolve num mundo em que os vampiros saíram do caixão. É exatamente esta a expressão usada na série. Isso significa que os vampiros do mundo inteiro resolveram contar que realmente existem, após milênios agindo na calada da noite. A revelação foi motivada pela criação japonesa do true blood, um sangue artificial que, de agora em diante, poderá alimentar os vampiros sem que eles precisem sair mordendo pescoços por aí.

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Mas existem dois grandes problemas: 1) nem todos os seres humanos reagem bem ao fato de terem que dividir suas existências com cadáveres que andam e falam; 2) nem todos os vampiros se adaptam à nova dieta de sangue artificial, preferindo continuar com o que sempre fizeram: matar seres humanos.

Entram em cena Sookie e Bill, o casal de protagonistas. Ela é uma garçonete de um bar do interior que estranhamente ouve pensamentos. Ele é um vampiro bonitão e misterioso que deseja apenas uma coisa: voltar a se integrar com os seres humanos. Com essa paixão como pano de fundo (e tome cenas escancaradas de sexo), os roteiristas desenvolvem tramas paralelas pra lá de interessantes. A principal da primeira temporada é uma série de assassinatos de mulheres da cidadezinha onde se passa a história, que tem como principal suspeito, claro, um vampiro. Nessa trama, o preconceito contra vampiros e a tensão que envolve sua relação com os seres humanos é mostrada com bastante criatividade.

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Mas não é só isso. True Blood ainda guarda sacadas interessantes como o V Juice, nada mais nada menos que o sangue de vampiro que virou droga da moda. Quem toma tem alucinações lisérgicas e adquire grande vigor físico (tudo que a garotada do interior mais deseja). Logo nos primeiros episódios, porém, a gente acompanha chocado o que pode acontecer caso alguém tome uma overdose de V: Jason, irmão mais velho de Sookie, acaba tendo que se submeter a uma sucção peniana para aplacar uma ereção de mais de 48h…

Pelos blogs você encontra as mais diversas opiniões sobre a nova série da HBO, que tem previsão de estréia no Brasil só pra fevereiro do ano que vem. A maioria, entretanto, diz que a série é bizarra, porém divertida. Bem, eu não acho bizarro. No fim das contas, acredito que os roteiristas desenvolvem muito bem as tramas e conseguem a façanha de tornar um enredo tão absurdo em algo quase plausível. Quase.

Porque além de vampiros, garçonete que ouve pensamentos, sangue que deixa todo mundo doidão, ainda tem exorcista que mora no meio do mato, homem que corre nu pela floresta ao amanhecer, traficante que transa com vampiro só pra conseguir sangue pra vender, vampiros que transam como animais enfurecidos, a suspeita de que lobisomens e outros seres do tipo existem, além de muito, muito, muito sexo.

Apesar da HBO já ter garantido uma segunda temporada, True Blood não é do tipo de série que vira queridinha da audiência da noite pro dia, como Grey’s Anatomy ou 90210. Mas vale a pena ser assistida. Os personagens são bem construídos e cativantes, as tramas são inteligentes, os textos são bem escritos e na pior das hipóteses você vai aprender umas boas posições novas. Com direito a mordida no pescoço, claro.

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[NOTÍCIA]
“PROVOCAÇÕES” COM MARÇAL AQUINO HOJE

19 dezembro 2008 § Nenhum comentário ainda

O escritor Marçal Aquino, de livros como “Cabeça a Prêmio” e “O Invasor”, enfrenta as perguntas maldosas e cheias de pegadinhas de Antonio Abujamra no excelente programa “Provocações”. Programe-se: hoje, às 22h10, na TV Cultura.

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[CRÔNICA]
COMO SOBREVIVER A UM HOTEL DE LUXO

16 dezembro 2008 § Nenhum comentário ainda

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Você vai ficar num hotel de luxo. Primeiro de tudo, não leve muita coisa. Esse conselho é por diversas razões, mas a principal é que vão desconfiar de sua nobreza caso chegue carregando cinco malas para passar um fim de semana. Os chiques de verdade viajam com uma malinha pequena porque sabem que voltarão atolados de novas bugigangas. Viajar com a casa a tiracolo é coisa de pobre.

No quarto, cuidado com o frigobar. Aliás, o ideal é que você nem veja onde ele está. Frigobares são equipados com um poderoso sensor de desejos. Eles têm tudo que você mais almeja. Custando, obviamente, uma fortuna. Quer um chocolate Lolo, daqueles que saíram de linha há pelo menos vinte anos? Não se assuste se abrir a geladeirinha e ele estiver lá dentro, geladinho, com a famosa e sorridente vaquinha na embalagem. Frigobares são traiçoeiros. Tudo bem, você não o ignorou, abriu, viu que tinha o Lolo. A saída agora é muito simples: pegue o chocolate e não olhe para nenhum outro item. As chances de três gueixas massageadoras saírem lá de dentro são enormes.

Antes de ligar qualquer aparelho do quarto – e há muitos, ar-condicionado, som, televisão, chuveiro elétrico – verifique com a recepção se os gastos com eletricidade serão adicionados à sua conta. Não há nenhum hotel no mundo inteiro que faça isso. Mas nunca se sabe, não é mesmo?

Tome o cuidado de jamais estar no quarto quando a arrumadeira vier. Elas pedem gorjeta. Aí fica aquela situação: ela com a mão estendida esperando e você entregando tristemente a metade do Lolo que guardou para comer mais tarde. Para o caso de solicitar algo da recepção (um cinzeiro, um isqueiro, uma toalha), proceda da seguinte forma quando a encomenda chegar: grite “pode deixar aí fora” de forma bem antipática, dando a entender que está ocupado com algo mais importante que receber o que pediu. Então, espere cerca de dez minutos para que o entregador desista da gorjeta. Vá à porta silenciosamente, verifique se não tem mais ninguém lá fora pelo olho mágico e seja veloz: abra, pegue a encomenda, feche a porta e respire aliviado. Mais uma gorjeta que você economizou.

Saiba que os hotéis não cobram pelo sabonete, xampu e condicionador que disponibilizam nos banheiros. Mas isto não significa que você pode usar um tubo de xampu a cada banho (aliás, você checou se o hotel cobra pelo banho?).

O café da manhã é de graça. É a sua chance de comer o suficiente para não precisar gastar com comida pelo resto do dia. É importante sentar-se próximo ao bufê, para que os outros hóspedes não percebam que você está refazendo o prato pela quinta vez. As regras de etiqueta dizem que você pode repetir uma refeição quantas vezes quiser, contanto que não faça um prato de pedreiro. O que não é o seu caso, obviamente. O primeiro prato que você faz tem três andares. No quinto, você inova nas regras de engenharia e consegue edificar uma réplica do Empire States Building com croissants, muffings, queijo, presunto, abacaxi, salsicha e um azeitona simulando o King Kong.

Você verificou se o hotel cobra pelo uso da privada? É lá que você vai passar o resto dos seus dias se não tiver bastante cuidado com o que come no desjejum. Há registro de pessoas que se aproveitaram da fartura e mandaram ver em todos os itens. Saiba: a administração dos hotéis coloca uma gotinha de laxante nas iguarias mais caras da refeição. De modo que aquela pitadinha de noz moscada pode se transformar num porco podre em apenas alguns minutos de digestão.

A piscina. Você deita na espreguiçadeira, olha aquele espelho azul, sente que tudo valeu a pena. O sol é de graça (os sistemas de cobrança pela luz solar ainda estão em testes no Massachussets Institute of Tecnology), portanto você pode torrar o dia todo sem medo de ir à bancarrota. Mas não peça nada. A última vez que a Apple quase faliu foi porque Steve Jobs resolveu tomar todas num bar molhado. Já que você não sabe como parar quando começa, melhor viver um dia de cada vez.

Muito bem, a noite chegou. Vai ter uma festinha na boate do hotel e você descolou uma pulseira VIP com o cabeleireiro ao dar falsas esperanças a ele. Antes de levar pro quarto aquela loira de microssaia e salto alto, verifique qual a política do hotel no tocante à prostituição feminina. De menores. Bom, você não esperava que a dona daquelas curvas caísse no seu colo motivada pelo seu charme, não é mesmo? A sua sorte é que a batida do Ministério Público vai acontecer bem na hora que você for ao banheiro tomar um pouco de água da torneira (na boate, a cerveja é mais cara que no bar molhado).

Lembra que eu falei que havia muitos motivos para levar uma bagagem pequena? Muito bem, uma dessas razões é o temido check-out. Ou, como se diz em português, o juízo final. É nessa hora que você vai acertar as contas com o deus dos hotéis de luxo. Vão te cobrar os trinta e oito tubos de condicionador (usar creme capilar como hidratante não foi uma boa idéia), o canal pornô que era pay-per-view e você não checou antes, as gorjetas acumuladas, os dez por cento da taxa de serviço e a luz solar (um protótipo do MIT foi instalado há dois dias). O que fazer?

Com sua mochilinha nas costas, diga que decidiu ficar mais alguns dias. Volte ao quarto e espere quarenta minutos (gerentes são como moscas: têm perda de memória recente). Em seguida, vista apenas uma sunga, deixe uma toalha escapando da mochila e passe pela recepção cumprimentando todos, dizendo que não vê a hora de se jogar naquele marzão. A loira peituda está esperando na esquina dentro de um Fusca 79. Você teve que ligar a cobrar. Ainda bem que ela ganhou uma graninha na noite passada pra colocar crédito no celular.

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