Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
Publicado originalmente na Revista Versailles nº 17
Sentado à cabeceira da mesa numa cadeira adaptada ao seu corpinho frágil, Pedro viu o mar de docinhos multicoloridos desembocando na montanha de marzipã que era o bolo. Enorme, colorido, irresistível. Sua boca banguela salivava sem controle. Instintivamente, umedeceu os lábios com a língua e abriu bem os olhos em direção ao bolo. Todos riram da sua marotice.
Acompanhou com o olhar aquela mulher carinhosa que depositava em sua cabeça um dos inúmeros chapéus cônicos. O elástico fino, quase invisível, alojou-se confortavelmente na dobrinha abaixo do seu queixo. Sentiu-se parte de um grupo, visto que todas as pessoas ao redor usavam o mesmo chapéu.
A mulher carinhosa recendia a água de banho e sussurrou em seu ouvido maternalmente: “Daqui a pouco partimos o bolo, querido”. Não queria fazer birra, mas foi impossível conter o bico. Esperar era a pior coisa do mundo. Todos entoaram “Ooohhh” fingindo pena e Pedro acabou por ganhar um beijo na testa da mulher carinhosa. Ficou mais fácil esperar.
O sol já estava se pondo quando o bolo veio flutuando em direção a ele. Pedro mal conseguia conter a alegria. Bateu palmas, gargalhou, gritou. Todos acompanhavam atentamente suas reações, como se a grande atração da festa fosse mesmo a sua felicidade. Pedro gostava de se sentir amado.
Tão logo o bolo pousou diante de Pedro, um homem barbudo veio com um isqueiro para acender as velas. “Faz um pedido, vovô”, o homem disse olhando nos olhos do aniversariante. Pedro soprou as velas que formavam o número “100” com o fôlego de uma criança, desejando silenciosamente que tudo aquilo fosse apenas o começo.
Aquele silêncio ao se olharem de longe. Nenhuma música, nenhuma gargalhada, nenhuma piada regada a uísque. Somente aquele silêncio dos olhos se contundindo um no outro, explodindo os desejos recíprocos a guisa de qualquer luz estroboscópica e passos de dança e gelos secos. Paralisados, olharam-se em silêncio: que não era a ausência do som, mas sim presença de todos os convites. Sorriram-se. Em silêncio.
Aquele silêncio ao cruzarem o umbral do pub e estancarem na calçada. Ficou na memória do ouvido algo do bate-estaca, mas com o vento e as buzinas e as instruções dos manobristas transformou-se em zumbido grave profundo, abafado como um tambor que retumbasse intermitentemente dentro de um copo. Aos poucos, mimetizou-se em silêncio. Disseram-se seus nomes, trocaram cumprimentos, deixaram que o amarelo resvalasse pelos sorrisos.
Aquele silêncio de não saber o que dizer apesar de todas as coisas a serem ditas. Que poderiam ir tomar um café e se conhecer melhor, que aquele DJ tinha perdido a mão ao tocar dance music dos anos 90, que aquele lugar já tinha sido muito bom na época em que não era frequentado por todo mundo da cidade. Apesar de todo o mais que havia de dizível, permaneceram apenas se olhando. E dos olhos saltavam como suicidas desesperadas as palavras-anseios: eu quero alguém com quem possa ultrapassar a barreira dos silêncios constrangedores. Compreenderam-se sem dizer palavra.
Aquele silêncio saciado que apenas a completude de um corpo no outro provoca. Entregaram-se a olhar o teto, suspirar, descer os dedos suavemente pelas costas. Sem nada a dizer porque tudo já falado em braile. A língua do toque.
Aquele silêncio diante do primeiro presente. Aquele silêncio diante da primeira briga. Aquele silêncio diante dos gostos em comum que foram descobrindo, das histórias de infância que foram se contando, das fotos de viagem que foram se acumulando. Aquele silêncio diante dos dias, dos meses, dos anos.
Aquele silêncio enquanto olhavam embasbacados para a caixa de veludo revelando, como vulvas, as alianças.
Aquele silêncio irrecuperável. Porque não falar nada era mais pelo tédio, pela rotina, pelos dia-a-dias que iam embolorando-se nos cantos da casa. Já não planejavam ir a uma boate e fingir que não se conheciam para então se trombarem acidentalmente no bar; já não se entusiasmavam quando viam um móvel moderno, estilo anos 60, esquecido no fundo de um antiquário; já não dividiam a vida porque ela completamente dividida. Assistiam a tudo em silêncio, dois virando um mais um.
Aquele silêncio da mala pronta, encostada à parede da sala, o táxi esperando no estacionamento, a vontade de gritar e gritar e gritar. Caminharam em silêncio até a porta entreaberta, o rasgo de luz do corredor vazando pelo hall de entrada. Cumprimentaram-se com um meneio de cabeça como maratonistas que desistissem no meio do revezamento. Mas havia ainda o aluguel a fracionar, a conta conjunta a encerrar, os carros a serem vendidos, o imposto de renda, o IPVA, a TV a cabo, as famílias, os amigos, as músicas, os filmes, as viagens, as descobertas, as alegrias, os sonhos. Choraram. Aos berros. Desesperados. Abraçados. Beijando-se. Desistindo. Despindo-se. Falando. Mas eu te amo tanto, mas eu te amo tanto, mas eu te amo tanto.
Naquela noite ninguém conseguiu dormir no condomínio. E eles nunca mais correram o risco de se calar.
# ABERTURA OFICIAL – QUARTA-FEIRA – 19.10.2011 – 19h – ASSEMBLEIA LEGISLATIVA – ABERTO AO PÚBLICO
No dia 19 de outubro, uma quarta-feira, os escritores Nei Leandro de Castro (RN) e Mario Prata (SC) estarão no Auditório Robinson Faria da Assembleia Legislativa falando sobre o prazer da leitura, seus livros, suas carreiras e fazendo o que sabem melhor: contando boas histórias. O evento é GRATUITO e ABERTO AO PÚBLICO.
# QUINTA-FEIRA – 20.10.2011 – 18h30 – SICILIANO DO MIDWAY – ABERTO AO PÚBLICO
Na quinta-feira, 20 de outubro, duas animadas mesas de bate-papo falam de narrativas contemporâneas brasileiras. Pablo Capistrano (RN), Patrício Jr.(RN) e Sérgio Fantini (MG), depois Joca Reinners Terron (MT) e Rafael Coutinho (SP) recebem leitores, conversam com o público, assinam seus livros em debates sobre leitura e literatura.
# SEXTA-FEIRA – 21.10.2011 – 18h30 – SICILIANO DO MIDWAY – ABERTO AO PÚBLICO
Na sexta-feira, 21 de outubro, às 18h30, Clotilde Tavares, Cláudia Magalhães e Ana Célia Cavalcanti conversam sobre seus livros lançados em 2011. Em seguida, será lançado o livro “Paraíso Perdido” de Cláudia Magalhães.
# ENCONTROS COM ESTUDANTES
De segunda à sexta (17 a 21 de outubro), nos períodos da tarde e da manhã, os autores visitarão as escolas estaduais Anísio Texeira e Castro Alves, a Escola Municipal 4º Centenário e o colégio CEI Romualdo Galvão. Também haverá palestras com Nei Leandro no curso de Letras da UnP e de Pablo Capistrano para funcionários da ALE Combustíveis.
# LANÇAMENTOS
Durante o evento, serão lançadas duas publicações de nossa editora. Na quinta-feira à tarde, Nei Leandro de Castro e Mario Prata estarão na Siciliano do Midway, assinando seus livros para leitores. Na sexta-feira, 21, o livro “Paraíso Perdido” de Cláudia Magalhães será lançado na mesma Siciliano do Midway Mall a partir das 18h30. Já no sábado, 22, às 16h, Leonardo Panço (RJ) conta a história do movimento underground carioca dos anos 1990 com o seu “Esporro”.
# OFICINA COM O ESCRITOR SÉRGIO FANTINI (MG)
De quarta a sexta-feira, (19 a 21 de outubro) será realizada uma oficina de leitura com o autor mineiro Sérgio Fantini. Com 40 vagas para estudantes universitários. A atividade também é GRATUITA e será realizada na UnP da Floriano Peixoto sempre das 15 às 17h. Os alunos receberão certificados e as inscrições devem ser feitas pelo e-mail jovensescribas@gmail.com . Basta enviarem o nome completo, celular para contato, e-mail pessoal, instituição onde estuda, curso e período.
# FESTA DE ENCERRAMENTO
No dia 22 de outubro, sábado, a partir das 16h, no Centro Cultural Dosol, Ribeira, será realizada a festa de encerramento da AÇÃO POTIGUAR DE INCENTIVO À LEITURA com o lançamento de Leonardo Panço e muita música.
# LIVRO PARA VOAR
Na noite de abertura na Assembleia Legislativa, bem como nos encontros com estudantes e na festa de encerramento no Dosol, a ALE levará suas estantes do projeto Livro para Voar, transformando estes locais em pontos de libertação e recolhimento de livros. Para saber mais sobre o projeto, acesse www.livroparavoar.com.br
# REDES SOCIAIS
As redes sociais serão uma grande plataforma de divulgação do evento, bem como de distribuição de brindes e promoções especiais. Sigam o perfil @jovens_escribas no Twitter e curtam a fanpage/jovensescribas no Facebook. Também sigam os perfis de nossos patrocinadores. A Cabo Telecom, ALE Combustíveis, CEI Romualdo Galvão e Assembleia Legislativa estarão cheias de novidades bacanas relacionadas ao evento.
# PÚBLICO
Nos 6 dias de evento, a AÇÃO POTIGUAR DE INCENTIVO À LEITURA deverá atingir um público de mais de 3.000 pessoas, na sua grande maioria estudantes, mas também qualquer pessoa interessada em leitura e em ter um contato mais próximo com alguns dos melhores autores atuais.
# PATROCINADORES
A realização do evento não seria possível sem o patrocínio de empresas que acreditassem no projeto. Gostaríamos de agradecer à ALE Combustíveis, CEI Romualdo Galvão, Cabo Telecom e Assembleia Legislativa.
# APOIOS
Muitos apoios também estão sendo de grande importância. A rede de restaurantes Camarões, Livraria Siciliano, Verbo Eventos, Comitê Criativo, Unigráfica, Revista Catorze, Natalpress, Rox GC Studio e Centro Cultural Dosol.
# OUTUBRO DA LEITURA
Natal em Outubro conta com outros eventos semelhantes ao nosso como a FLIQ, os eventos do IDE, o 4º Encontro Potiguar de Escritores (UBE-RN), entre outros. São diversas iniciativas independentes que transformarão este mês no “Outubro da Leitura”.
Suponhamos que você esteja numa mesa de bar com um grupo de Intelectuais Potyguares (sim, eles existem, muito embora sejam como as bruxas: você não deve acreditar neles). Ah, o Intelectual Potyguar! Esse espécime que todos crêem estar em extinção, mas que se reproduz pelas vicinais do Beco da Lama com mais ferocidade que o Artistas Performaticus Natalensis e o Secretarius de Cultura Municipalis. Está com eles a missão de transmitir às gerações vindouras o melhor que encerra seu DNA: o talento para o fuxico, a capacidade para a inércia e o dom da irrelevância.
— Os prêmios literários só são dados a autores que espelham e ovacionam o poder dos Governos — suponhamos que um dos Intelectuais Potyguares acabe de cuspir esta máxima (um Intelectual Potyguar que se preze não se contenta em emitir opiniões: vociferar verdades universais incontestáveis é que é da hora).
É preciso que fique claro antes que prossigamos: dizer “o poder dos Governos” numa mesa de bar é o equivalente a berrar “Parem de falar, vozes na minha cabeça” em um jantar de noivado. Não faz sentido, mas serve para chamar a atenção.
Ainda no campo das suposições, partamos do pressuposto de que você tente contra-argumentar, dizendo que não é bem assim: prêmios literários, do finado Othoniel Menezes ao eterno Nobel, servem para fomentar a produção, estimular o consumo de literatura e, independente das jogadas de bastidores e dos eventuais lobbies, é sempre bom ganhá-los.
Desista. Não adianta. Um legítimo Intelectual Potyguar não participa de prêmios literários — não está bem claro se é pela falta de uma obra relevante ou se é pela preguiça de tirar cópias, encadernar, enviar pelos Correios. Intelectuais Potyguares sabem que ser intelectual de verdade dá trabalho. E não me entenda mal: há intelectuais de verdade no Rio Grande do Norte; cultos e comprometidos; maduros e humildes; talentosos e empreendedores — e eu só inseri esta afirmação no texto porque não quero me indispor com os Intelectuais Potyguares que não se assumem como tal. Os enrustidos são os mais perigosos.
Pra ser Intelectual Potyguar tem que expor opiniões como se estivesse revelando publicamente uma conspiração global — com alterações bruscas no volume da voz, olhos injetados, palavras que já caíram em desuso e, mais importante de tudo, perdigotos.
— O único ganhador do Nobel que merece meu respeito se chama Sartre, que fez exatamente o que eu faria: recusou o prêmio — diz um dos Intelectuais Potyguares à sua frente, enquanto gotas da mais pura saliva neblinam sobre a mesa, notadamente quando ele diz “Sartre”. Os Intelectuais Potyguares preferem a umidade à humildade.
Este que, suponhamos, acaba de falar é da espécie sou-tão-inteligente-que-posso-andar-como-um-mendigo. E muito embora você duvide que alguém quase sem dentes, vestindo camiseta das Eleições 2002 e calça doada pela Cruz Vermelha, tivesse a audácia de recusar um prêmio que lhe renderia 10 milhões de coroas suecas, você não vai dizer nada. Você vai se limitar a sorrir sem revelar se é por fascínio ou escárnio, dar um gole na sua cerveja torcendo para que ela não tenha sido atingida pelos perdigotos, repassar mentalmente os nomes dos agraciados pelo Nobel que você consegue lembrar (achando surpreendente que este Intelectual Potyguar tenha conseguido memorizar todos os ganhadores) e pensar: mas nem José Saramago, único Nobel de Literatura da Língua Portuguesa, você respeita?
— Mas nem José Saramago, único Nobel de Literatura da Língua Portuguesa, você respeita? — suponhamos que você, sem conseguir se conter, tenha pensado alto.
Neste momento, você conhecerá uma nova faceta do Intelectual Potyguar. Você não sabia, mas quando está em seu habitat natural (mesa de plástico de um bar xexelento), o Intelectual Potyguar não aceita que ninguém — ninguém! NINGUÉM! — discorde dele. Isto inclui você. O Intelectual Potyguar passa a agir como um leão que mija em círculos para demarcar seu território. Em vez de urinar, entretanto, ele caga:
— A literatura de Saramago está a serviço dos poderosos — diz enquanto as têmporas vibram num rompante de ódio comparável apenas a um chilique de madame em boutique do Plano Palumbo. — Dos poderosos!
José Saramago? O escritor de esquerda?! Aquele que deixou Portugal só por não concordar com o Governo?!?! O escritor excomungado pela Igreja por escrever “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”?!?!?! É deste José Saramago que ele está falando?!?!?!?! Parece loucura, mas você decide cutucar o cão com frases curtas:
— Acho que você nunca leu Saramago — você diz sem conseguir conter um brilho maligno no olhar. — Aliás, acho que você nem sabe quem é Saramago.
“Eu não sei” é uma sentença que não existe no vocabulário do Intelectual Potyguar. Uma única vez um Intelectual Potyguar disse esta frase, mas depois descobriram que ele havia nascido em Recife.
— Atualmente, tenho me dedicado a reler “Finnegans Wake” de James Joyce — responde, gentilmente, o Intelectual Potyguar, esboçando tédio e autocomiseração para que todos creiam que reler “Finnegans Wake” é algum tipo de obrigação divina que lhe foi imposta.
Pois é, os Intelectuais Potyguares sempre estão relendo um livro que ninguém leu. Não importa se nos últimos meses você devorou três Philip Roth, quatro Paul Auster e nove Hemingway. O Intelectual Potyguar vai se sentir superior por estar usando seu cultíssimo tempo para reler “Finnegans Wake”. Você até cogita perguntar o que ele tem lido de mais atual, mas você sabe que ele acabaria vomitando frases como “A literatura acabou em Guimarães Rosa” e aí a coisa toda descambaria pra baixaria.
Suponhamos que você desista de dialogar e reduza-se a um observador da fauna local. Como um repórter do NatGeo, você presta atenção em cada gesto dos Intelectuais Potyguares enquanto seus olhos lacrimejam de piedade.
Você aprende que:
1) Só Intelectuais Potyguares sabem que Lampião nunca colocou os pés em Mossoró, ficando a 17 quilômetros da cidade durante o famoso cerco. Preste atenção: 17 quilômetros. Não foram 18, não foram 19, foram 17 quilômetros. Você pensa: “Como ele sabe a distância exata? Lampião deu um check-in no Foursquare?”
2) Só Intelectuais Potyguares leram mais de 300 livros sobre a história do Rio Grande do Norte e sempre estarão a espera do momento certo de esfregar isto na sua cara. Muito embora não confessem, intimamente alimentam a esperança de serem citados em um desses livros. Por isso lêem tanto sobre a história do Rio Grande do Norte.
3) Só Intelectuais Potyguares conseguem citar Câmara Cascudo em qualquer momento da conversa. “Vai viajar neste feriadão?”, alguém pergunta displicentemente. O Intelectual Potyguar se empertiga na cadeira, respira fundo, formula sua melhor expressão de desdém e fala fitando o nada: “Como diria Câmara Cascudo: ‘Vou não, quero não, posso não’.”
4) Só Intelectuais Potyguares xingam muito no Twitter, disparando até ameaças de agressão física, só porque algum jovem poeta escreveu “chanana” ao invés de “xanana” (Intelectuais Potyguares, só de birra, ignoram que a flor símbolo de Natal é grafada com “ch” em todos os dicionários). A propósito, só Intelectuais Potyguares não pensam em vagina quando ouvem a palavra “chanana”.
5) Só Intelectuais Potyguares batizam de Zila & Mamede o casal de pebas conquistado numa rifa.
6) Só Intelectuais Potyguares lêem repetidas vezes um texto que os critica, numa busca fremente por um verbo mal conjugado ou um erro de digitação. Em suas cabecinhas transbordantes de meladinha, encontrar algo assim num texto que os critica desqualificaria seu autor, suas ideias, seus argumentos, sua mãe, sua esposa, sua sogra. Buscar coisas assim num texto é uma forma de se afirmar Intelectual Potyguar. Pode prestar atenção nos comentários mais abaixo para confirmar.
E, por fim, a maior lição: só Intelectuais Potyguares fazem você sentir o estômago dar voltas em torno de uma dor pontiaguda que precipita a mais genuína diarréia de escárnio. Você se levanta, dá boa-noite, pede desculpas por já ter que ir embora. E sai antes que acabe por expelir em forma pastosa tudo que os Intelectuais Potyguares vêm excretando, ao longo da vida, dia após dia, em forma de palavras.
O primeiro salário do qual tive pleno conhecimento foi o do meu pai. Não adiantou que os holerites fossem guardados a sete chaves, mais valiosos que os próprios valores que indicavam. Aos onze anos, tomado pela curiosidade, fui impelido a abrir o contracheque do meu pai e descobrir que o salário dele poderia comprar não seis, não sete, não oito, mas 200 kits do Playmobyl. 150 bonecos do Comandos Em Ação. Mais de 1700 coxinhas da cantina de Dona Alaíde. Meu pai era, definitivamente, um homem rico.
É óbvio que naquela época qualquer valor que ultrapassasse o escore de duas passagens de ônibus já me soaria como uma fortuna. Eu era feliz e não sabia.
Menos de uma década depois, fui confrontado com uma cruel realidade: consegui meu primeiro estágio e passei a ter um salário. Mínimo, diga-se de passagem. Lentamente, de maneira imperceptível, fui me transformando nisso aqui: um assalariado. Um ser humano que suspira com alívio a cada primeiro dia útil do mês; vive cinco ou seis dias de felicidade plena; logo mais descobre que a conta da TV a cabo não está paga. Há dois meses.
Um assalariado. Uma entidade sem rosto, mas com número de PIS/PASEP, que vibra a cada promoção de eletrodoméstico em 36 vezes, como se comprar um micro-ondas em prestações a perder de vista fosse o equivalente ocidental do orgasmo tântrico. Eu não sabia ainda, é bem verdade, que a expressão “prestações a perder de vista” não é apenas uma figura de linguagem, visto que os juros sempre nos custam os olhos da cara. É, eu era bem feliz.
Foi justamente naqueles meses de felicidade plena com juros de 112% a.a. que tive meu primeiro contato com a Síndrome do Não Digo Quanto Eu Ganho Nem A Pau. Preste atenção: sempre quando o assunto é salário, o diálogo passa a ser permeado por reticências estranhas, entonações misteriosas e expressões intraduzíveis como “Eu ganho X, mas quero X+Y”. Em tempos em que discutimos abertamente sobre antigos tabus como a homossexualidade, a legalização da maconha e a verdadeira idade da Glória Maria, o salário de cada um de nós insiste em ser a única e intransponível barreira da comunicação verbal.
Experimenta perguntar pro teu chefe qual o salário dele. Primeiro você vai ouvir que empresários não têm salário fixo, que as retiradas no lucro da empresa se chamam pró-labore, que os tempos estão cada vez mais difíceis. Inexoravelmente você não vai ouvir um número. “Um número, chefe, um numerozinho só”, você insistirá. Pode até ser que ele dê uma margem, uma ideia, uma pista: “Digamos que eu ganho X² + 2XY + AB”. Empresários acreditam piamente que o segredo do sucesso é praticar com afinco a Síndrome do Não Digo Quanto Eu Ganho Nem A Pau. Devem ter lido em algum livro de autoajuda.
Essa regrinha social, entretanto, serve a diversos propósitos. O primeiro e mais importante: se todos sabem quanto pinga na sua conta mensalmente, não vai dar pra contar vantagem. E sejamos francos: contar vantagem é uma das coisas mais legais que se pode fazer nesses tempos bicudos. “Comprei à vista”, você diz do seu carro zero que na verdade foi parcelado em 60 mensais de 350 mililitros de sangue. Com entrada de um olho direito. Mas ao ver a admiração no rosto do seu melhor amigo, a inveja transbordando pelos olhos lacrimejados como dissesse “Ele, definitivamente, é rico”, tudo se justifica. Até a anemia.
Outra vantagem de não falar abertamente sobre o salário é poder bancar o coitadinho. Ok, é uma atitude diametralmente oposta à ação do parágrafo anterior, mas não menos vital. Digamos que sua filha vai casar. “Quero decorar a igreja com 10 mil orquídeas brancas, papai”, ela propõe impondo – ou impõe propondo, vai saber. Se sua amada herdeira não sabe o quanto você realmente ganha, nem vai ficar tão chateada ao adentrar magistralmente a nave da igreja e dar de cara com 32 xananas natalenses, todas branquinhas e viçosas, roubadas de canteiros públicos na madrugada anterior. Você sorri amarelo, com ar resignado, humildemente dizendo “Pois é, filha”. E seus zilhões seguem repousando no banco, ao sabor dos PGBLs e VGBLs, à espera do próximo iate.
Não dizer o quanto ganha provavelmente é uma superstição idiota. Provavelmente é um reflexo de nossa cultura provinciana. Provavelmente foi um hábito agravado pela política colonizadora e acachapante da qual fomos vítimas. Mas como ninguém tem certeza, eu não mostro o meu a ninguém.
Às vezes, devo confessar, me flagro imaginando como é o dos meus amigos. Será que o meu é maior? Será que eu passaria vergonha se mostrasse pra todo mundo? Será que ririam de mim, apontando-me seus indicadores, vorazes em me humilhar por minhas diminutas cifras? Eu sei, eu sei, preciso de ajuda médica. Mas vocês já viram quanto cobra um psiquiatra? Eu, definitivamente, não sou rico.
Lembram que virei colunista da Revista Versailles, conforme contei aqui? Pois é, há algumas semanas, saiu a edição com minha primeira coluna. A página está logo abaixo.
E agora, o texto na íntegra pra você comentar:
EM OUTRA DATA,
EM OUTRO LOCAL,
EM OUTRA OCASIÃO
Juliana arremessou o vaso sem mira, mas com raiva — e toda mulher sabe que o sentimento é mais importante que o cálculo. A porcelana estourou na parede perto de Alberto, que acabara de dizer “Eu não sabia o que estava fazendo”. O silêncio da madrugada foi cortado pelos palavrões que ela vociferou, enquanto os cacos circundavam os pés dele exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando Juliana deixou que a taça de champanhe escapasse dos dedos e se estilhaçasse aos pés de Alberto sob a luz das três da tarde. Os convidados riram quando o juiz brincou que os noivos só poderiam dar vexame após a troca de alianças.
Alberto implorou pelo perdão de Juliana depois que os cacos do vaso desabaram pelo chão ao mesmo tempo em que as lágrimas desabavam por seus rostos. Desculpou-se pela frase infeliz e tentou se aproximar. Juliana afastou-se dizendo que nunca mais deixaria que ele a tocasse. E como Alberto continuava se aproximando, puxou a cortina da sala com a força da raiva. O voil dançou delicadamente entre eles exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando o tule do véu deslizou sobre os cabelos de Juliana enquanto Alberto esperava sob a tenda armada no jardim. Ela sorriu iluminada pelo sol que invadia o quarto da fazenda, ao mesmo tempo em que ele enfiava as mãos nos bolsos da calça de algodão.
Juliana estava preparada para destruir o apartamento inteiro, contanto que isso impedisse Alberto de falar. O amor lhes doía em todos os ossos — talvez por seu fim, talvez pela teimosia em não acabar — enquanto seus olhares colidiam exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando seus olhos se encontraram diante do altar. Alberto pôs suavemente a aliança no anelar da noiva, recitando — como prometera — um poema de Vinícius. Juliana esqueceu o rímel e deixou que a emoção se liquefizesse exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando o choro se fez mais forte, o vaso explodiu na parede, a cortina despencou pelo ar da madrugada e ela berrou: “Eu nunca mais quero olhar pra você”.
Alberto e Juliana estavam lindos. Foram beijados, abraçados, fotografados. Ele dançou com a liberdade dos felizes, ela jogou o buquê para as amigas, ele subiu no palco para se declarar, ela subiu para agradecer, os dois se beijaram com a erupção que o amor em carne viva provoca nos corpos despreparados. Exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando Alberto deixou de temer vasos e cortinas, retirou do bolso uma caixa de veludo e sussurrou: “Me perdoe e case comigo”. Um ano depois, a cerimônia aconteceu sob o sol das três da tarde. E o amor seguiu seu rumo: às vezes sangrando, às vezes sagrado.
Juliana arremessou o vaso sem mira, mas com raiva — e toda mulher sabe que o sentimento é mais importante que o cálculo. A porcelana estourou na parede perto de Alberto, que acabara de dizer “Eu não sabia o que estava fazendo”. O silêncio da madrugada foi cortado pelos palavrões que ela vociferou, enquanto os cacos circundavam os pés dele exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando Juliana deixou que a taça de champanhe escapasse dos dedos e se estilhaçasse aos pés de Alberto sob a luz das três da tarde. Os convidados riram quando o juiz brincou que os noivos só poderiam dar vexame após a troca de alianças.
Alberto implorou pelo perdão de Juliana depois que os cacos do vaso desabaram pelo chão ao mesmo tempo em que as lágrimas desabavam por seus rostos. Desculpou-se pela frase infeliz e tentou se aproximar. Juliana afastou-se dizendo que nunca mais deixaria que ele a tocasse. E como Alberto continuava se aproximando, puxou a cortina da sala com a força da raiva. O voil dançou delicadamente entre eles exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando o tule do véu deslizou sobre os cabelos de Juliana enquanto Alberto esperava sob a tenda armada no jardim. Ela sorriu iluminada pelo sol que invadia o quarto da fazenda, ao mesmo tempo em que ele enfiava as mãos nos bolsos da calça de algodão.
Juliana estava preparada para destruir o apartamento inteiro, contanto que isso impedisse Alberto de falar. O amor lhes doía em todos os ossos — talvez por seu fim, talvez pela teimosia em não acabar — enquanto seus olhares colidiam exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando seus olhos se encontraram diante do altar. Alberto pôs suavemente a aliança no anelar da noiva, recitando — como prometera — um poema de Vinícius. Juliana esqueceu o rímel e deixou que a emoção se liquefizesse exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando o choro se fez mais forte, o vaso explodiu na parede, a cortina despencou pelo ar da madrugada e ela berrou: “Eu nunca mais quero olhar pra você”.
Alberto e Juliana estavam lindos. Foram beijados, abraçados, fotografados. Ele dançou com a liberdade dos felizes, ela jogou o buquê para as amigas, ele subiu no palco para se declarar, ela subiu para agradecer, os dois se beijaram com a erupção que o amor em carne viva provoca nos corpos despreparados. Exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando Alberto deixou de temer vasos e cortinas, retirou do bolso uma caixa de veludo e sussurrou: “Me perdoe e case comigo”. Um ano depois, a cerimônia aconteceu sob o sol das três da tarde. E o amor seguiu seu rumo: às vezes sangrando, às vezes sagrado.
Esta nota tem o único propósito de dar transparência ao trabalho sério que estamos realizando, antes mesmo de sermos indicados para compor a CEI (27 de junho) e presidi-la (3 de agosto). Decidimos fazer um relato histórico dos fatos noticiados, e que comprovam nosso comprometimento com esta apuração antes mesmo dela ser instalada, quando já apoiávamos o desejo de todo natalense de ver estes contratos investigados, fato notório com a mobilização de jovens que ocuparam a Câmara de Natal por 11 dias, em junho, instalando o #ColetivoForaMicarla.
Queremos ressaltar que, mesmo não tendo provocado a abertura desta apuração, Requerimento que foi apresentado pela vereadora Sargento Regina (integrante de oposição na CEI), que fez uma espécie de dossiê ao longo de um ano, reunindo cópias de documentos, o nosso mandato já vinha questionando contratos suspeitos da Prefeitura de Natal.
Tanto que no dia 17 de junho passado, quando foi realizada audiência pública, atendendo a reivindicação do coletivo #ForaMicarla, apresentamos cópias de mais de 50 requerimentos de nossa autoria, que pediam explicações sobre contratos publicados pelo Executivo Municipal. Enfatizamos que a maioria não foi respondida, ou não contemplou nossas dúvidas.
Por isso, agora, sugerimos e foi acatado pelos demais membros (no dia 9 de agosto passado) o reencaminhamento, pela CEI, destes requerimentos, assim como de outros vereadores, o que foi feito através de Ofícios, que também solicitavam pareceres jurídicos, para que possamos analisar que argumentos o Município utilizou para celebrar tais contratos, muitos com dispensa de licitação ou por inexigibilidade. Ainda não foram atendidas por completo: uns órgãos encaminharam e outros solicitam mais prazos.
Voltando um pouco mais: nosso primeiro passo, ao sermos indicados para a CEI, dentro da proporcionalidade da oposição, no final de junho (dia 27), foi colocar a equipe do gabinete para avaliar minuciosamente os Diários Oficiais, separando os contratos suspeitos. Isso aconteceu no recesso, em julho, quando sequer vislumbrávamos a possibilidade de sermos indicados para a presidência da CEI, o que ocorreu em 3 de agosto.
Queremos, aliás, enfatizar que não buscamos tal posto. Mas sendo inviabilizado o nome de Regina pela maioria dos membros, no caso da situação, restou o nosso nome para ocupar a vaga destinada à oposição – já que à situação caberia o cargo de relatoria. Aceitamos por uma questão de respeito com a sociedade e porque quando assinamos o requerimento para criação da CEI, estávamos disponibilizando nosso nome para acompanhar a apuração, independente do espaço a ocupar.
Creditamos alguns ataques à falta de argumentos para desqualificar o trabalho sério que está sendo realizado pela bancada de oposição nesta CEI, mesmo diante de todas as adversidades. Ao invés de criticar o que vem sendo feito por nós, os vereadores governistas deveriam, sim, manter seu compromisso com Natal orientando que seus membros não abandonem a comissão – e tentando neste momento fazer a substituição dos que saíram: Franklin Capistrano e Heráclito Noé (relator).
Se não há mesmo irregularidades na gestão da prefeita que a situação defende, então que ajudem, e não atrapalhem a continuidade dos trabalhos. E possam tentar convencer a sociedade de que não há irregularidades. Mas que façam isso com base em argumentos, provas e depoimentos, que, aliás, são transparentemente divulgados na mídia – com transmissão ao vivo pela TV Câmara – e matérias apuradas por repórteres que vêm acompanhando as reuniões da CEI na Câmara.
ANDAMENTO
Pois bem, os trabalhos vêm evoluindo e temos a prova disso. Passado quase um mês do início oficial dos trabalhos, enviamos Ofícios com solicitações de mais documentos e informações, respostas que estamos recebendo e que serão importantes para nortear os próximos passos, buscamos apoios junto a instituições respaldadas, e começamos a coletar primeiros depoimentos: dos titulares do Gabinete Civil, Kalazans Bezerra, da Secretaria de Planejamento, Antonio Luna, da Controladoria Geral, Regina Motta, e Procuradoria Geral do Município, Bruno Macedo.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Paulo Teixeira, informou que estão convocando dois especialistas da área de contratos e licitações para acompanhar os trabalhos, assim como o procurador-geral de Justiça, Manoel Onofre, destacará junto à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, seu representante nesta parceria. E o Tribunal de Contas do Estado informou que apesar da impossibilidade de disponibilizar servidor para auxiliar, poderá realizar as suas atribuições institucionais quando instado para tanto, notadamente quando do envio dos trabalhos conclusivos da CEI, ou ainda através de consulta.
Por fim, reiteramos nosso compromisso com todos que esperam desta CEI uma apuração séria. O que estiver ao nosso alcance para a investigação responsável iremos fazer. É fundamental que todo natalense acompanhe este trabalho, porque não temos nada a esconder. Pelo contrário, é com a transparência das medidas e esta contribuição/fiscalização que levaremos esta CEI para onde ela deve chegar: a encaminhamentos práticos e objetivos. Isso é necessário para que não estejamos, em breve, lamentando a extinção e apontando culpados. É hora de vigiar e se mobilizar para que manobras não aconteçam e saibamos quem realmente está comprometido com esta investigação!
Agosto é mês de lançamento Jovens Escribas. Nesta quinta-feira, dia 25, mais uma escritora que muito admiramos vai estrear pela editora. Clotilde Tavares publicará o livro “O Verso e o Briefing – A publicidade na literatura de cordel”, resultado de uma pesquisa na qual a autora levantou uma série dos chamados “folhetos de propaganda”, muito populares no interior do Nordeste brasileiro.
“O Verso e o Briefing” nasceu a partir de um trabalho acadêmico encomendado pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) de São Paulo. O diretor da instituição, José Roberto Withaker Penteado encomendou à autora um seminário sobre o assunto. O evento foi tão bem sucedido que Clotilde, posteriormente, aprofundou um pouco mais a pesquisa e a converteu na obra que lançaremos no próximo dia 25.
A capa da edição, bem como sua belíssima e ilustrada diagramação interna, é do diretor de arte Danilo Medeiros, que este ano já fez a arte dos livros “Pés no Caminho” e “Silas”, ambos dos Jovens Escribas.
Serviço
Lançamento “O Verso e o Briefing – A publicidade na literatura de cordel” de Clotilde Tavares
Dia 25 de agosto, a partir das 18h
Livraria Siciliano do Natal Shopping
Agosto é mês de lançamento Jovens Escribas. Nesta quinta-feira, dia 25, mais uma escritora que muito admiramos vai estrear pela editora. Clotilde Tavares publicará o livro “O Verso e o Briefing – A publicidade na literatura de cordel”, resultado de uma pesquisa na qual a autora levantou uma série dos chamados “folhetos de propaganda”, muito populares no interior do Nordeste brasileiro.
“O Verso e o Briefing” nasceu a partir de um trabalho acadêmico encomendado pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) de São Paulo. O diretor da instituição, José Roberto Withaker Penteado encomendou à autora um seminário sobre o assunto. O evento foi tão bem sucedido que Clotilde, posteriormente, aprofundou um pouco mais a pesquisa e a converteu na obra que lançaremos no próximo dia 25.
A capa da edição, bem como sua belíssima e ilustrada diagramação interna, é do diretor de arte Danilo Medeiros, que este ano já fez a arte dos livros “Pés no Caminho” e “Silas”, ambos dos Jovens Escribas.
Serviço
Lançamento “O Verso e o Briefing – A publicidade na literatura de cordel” de Clotilde Tavares
Dia 25 de agosto, a partir das 18h
Livraria Siciliano do Natal Shopping
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.